DE AGORA EM DIANTE,
EU DIGO

CONHEÇA O PROJETO

O projeto a ser apresentado visa atingir a abertura no mercado de podcasts, atualmente em grande ascensão, produzindo peças ficcionais com formato inspirado pelas antigas rádio-novelas. A série completa consiste em cinco episódios de cerca de 10 a 15 minutos de duração, onde é contada a história de cinco moradores de um prédio de apartamentos minúsculos de 3,5m², onde cada personagem representa uma problemática da sociedade sul-coreana atualmente. Sendo assim o produto final busca gerar debates, empatia e dar voz à causas de extrema importância, como a saúde mental da população, direitos LGBTQ+, feminismo, entre outras.

CONHEÇA OS PERSONAGENS

PARK SOBIN

Com 21 anos e tendo falhado duas vezes em entrar na universidade desejada através do teste Suneung , Sobin agora estuda em tempo integral em um cursinho preparatório na capital sul-coreana. Sua mãe o ajuda financeiramente, mas, para poupá-la de ter muitas despesas, ele trabalha meio expediente em uma cafeteria como forma de complementar a renda. Sua rotina acompanha o cotidiano exaustivo de muitos jovens de sua idade: acordar às 05h da manhã para pegar condução até a escola preparatória, ter aula das 07h às 16h com pequenos intervalos para almoço e lanche, trabalho das 17h às 22h, retornar para casa, revisar o conteúdo e, finalmente, dormir as poucas horas que lhe restam antes de recomeçar o ciclo.

Park Sobin representa a grande maioria de jovens que se sentem isolados e desconfortáveis em seu próprio país, lutando para mostrar seu valor como cidadão coreano. Além de viver em constante medo da desaprovação, seguindo uma rotina impertinente de estudos sem perspectiva de escolha para o seu próprio futuro, suas ambições e sonhos são criados em cenários que esperam dele, seus objetivos são a continuação de uma geração que não condiz com a sua e pouco a pouco essa ideologia injetada, o consume.

HAN MINJI

Aos 15 anos passou em uma audição de uma famosa empresa de entretenimento e se mudou para Seul, abandonando por completo a escola. Agora, com 16 anos, sua rotina se resume a treinos intensos, desde às 06h até 20h, para melhorar suas habilidades de canto, dança, atuação, entre outros talentos que uma perfeita artista de Kpop precisa ter. Mensalmente ela deve passar por avaliações que determinam se está no nível desejado pela empresa, podendo perder o contrato caso não atinja as metas.

Representando a pequena parte sonhadora que busca reconhecimento na indústria cultural com o objetivo de se tornar uma cantora, a aspirante a ídolo é a personificação das inseguranças com o corpo, o medo de não ser aceito como membro válido de uma sociedade e a pressão em cima da figura feminina para ser o ideal de pureza mesmo quando se é corrompida dia após dia.

KIM YEONGHWA

Desde muito nova Yeonghwa questionava a necessidade que a sociedade tinha de rotular as pessoas como se essas fossem mercadorias. Seu pai vivia a repreendendo por não se comportar como um homem, por ser muito frágil e por não atingir as expectativas que ele tinha sob seu único filho. Sua mãe se mantinha neutra, não a obrigava a nada, mas também nunca a defendeu.

Quando criança, brincava de trocar o uniforme com sua amigas, adorava colocar as saias no lugar das bermudas. A escola tratava isso como uma brincadeira de criança, mas ainda assim alertava os pais do comportamento “esquisito e inadequado”. A própria Yeonghwa acreditava que era apenas uma brincadeira, até o dia que se vestiu com as roupas da mãe e enxergou no espelho a mulher que era. Determinada a ajudar crianças a entenderem mais sobre si mesmas e “criar” uma geração mais saudável física e mentalmente, a personagem se especializa em psicologia pedagógica.

De personalidade alegre e segura, Yeonghwa vive sua vida ao máximo, sempre se colocando em primeiro lugar. Não se deixa abater por fofocas ou comentários maldosos, mas busca nunca revelar que é uma mulher transexual.

HA YEOIN

Tímida e pouco expressiva, Yeoin perdeu seus pais aos 19 anos. Então, morando com familiares, ela se via constantemente rejeitada e menosprezada, sem a possibilidade de sentir o carinho parental que estava acostumada. Isso gerou uma revolta na menina, que passou a fazer coisas que não eram do seu feitio. Em certo momento dormiu com um rapaz que insistiu em não usar camisinha, resultando em uma gravidez indesejada. Yeoin jamais teve notícia do homem com quem dormiu e sua família virou as costas para ela, pois agora não passava de “uma qualquer desonrada”, então a personagem se viu obrigada a desistir da faculdade e começar a trabalhar para sustentar a si e seu filho.

Sem ensino superior e com um filho pequeno para criar sozinha, muitas portas se fecharam para Yeoin, que teve que se acostumar a abaixar a cabeça e aceitar de bom grado o que lhe era oferecido. Ela representa a instabilidade social e as duras críticas em cima de mulheres que apenas estão estruturando suas vidas. Sua personalidade calma e reprimida, suavemente dá voz àquelas que julgamos antes mesmo de conhecer, evidenciando o caráter machista impregnado em cada indivíduo.

HWANG SOOMIN

Com apenas 14 anos, cercada de outras meninas que sequer conhecia, Soomin foi levada de seu país para terras desconhecidas. Dedicou boa parte de sua vida à movimentos feministas e de reparação para mulheres que foram usadas como escravas sexuais pelos soldados japoneses, mas, em sua velhice, se via incapaz de participar ativamente da árdua luta pelo seu tão almejado pedido oficial de desculpas.

Apesar de tantas feridas, a personagem possui uma personalidade amável e busca sempre ter empatia para com aqueles ao seu redor, pois não quer que outras pessoas recebam os olhares tortos e ofensas que ela recebeu ao ter a coragem de contar sobre os abusos que sofreu. Nacionalista, se enche de orgulho ao ver que seu país cresceu para se tornar uma grande potência dos dias atuais, mas se preocupa profundamente com o futuro dos jovens que parecem tão desesperançosos, em especial aqueles que convive no prédio que mora há tanto tempo.

Com total inspiração na falecida Kim Bok-Dong e em tantas outras mulheres que sofreram nas mãos dos soldados japoneses, Hwang Soomin é o fio condutor de todas as narrativas. Sua presença une todas as histórias e torna-se uma metáfora, não apenas representando o triste passado que nunca deve ser esquecido, mas também a importância que pequenos atos de empatia podem ter em uma sociedade.

CONHEÇA O GOSHIWON

Conhecido popularmente na Coréia do Sul como goshiwon, que significa quarto como uma caixa, esses apartamentos minúsculos de 3,5m² tornaram-se uma alternativa para aqueles que precisam de acomodações mais em conta na grande Seul. Normalmente apenas quartos com espaços mínimos e já previamente mobiliados, os goshiwons são semelhantes às pensões no Brasil, onde cada inquilino arca com as despesas de seu quarto e utilizam de forma comunitária áreas como a cozinha, banheiros e lavanderia.

Na narrativa, o quarto ocupado pelas quatro primeiras personagens é o mesmo, durante épocas diferentes, sendo o primeiro morador Park Sobin e a última Há Yeoin. Diferente dos demais, Hwang Soomin é a única moradora fixa do prédio.
O pequeno quarto simboliza não apenas a condição financeira dos personagens, que sem melhores opções se veem obrigados a viver em um espaço mínimo, mas também é uma metáfora para como esses enxergam suas situações psicossociais, estando encurralados e sufocados dentro de uma caixa.

CONTATO

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